Nenhum produto na sacola.

Procurar
Sexualidade Com Maturidade

Sexualidade Com Maturidade

Vamos acompanhar o revelador bate-papo entre o Dr. Dráuzio Varella e o Dr. Theo Lerner no vídeo abaixo?




Para você refletir e tomar notas fiz um apanhado dos assuntos do vídeo, somei observações sobre os temas e ainda inclui algumas interpretações e materiais complementares.

Estou segura de que todos estes riquíssimos estudos podem te trazer mais bem-estar, independentemente da sua idade. Como ninguém é @ don@ da verdade, sugiro que repense os seus conceitos e guarde tudo aquilo que te faz bem. Caso discorde de algo, tudo bem, isso é ótimo, estamos aqui para incentivar a soma e diversidade de correntes de pensamento.

Entrevistador: Dr. Dráuzio Varella e Entrevistado: Dr. Theo Lerner

 

É normal as pessoas perderam a libido depois de 60 anos?  

Depende muito do que você acredita que é a libido.

Para muitas pessoas a libido é ter desejo pela atividade sexual com penetração.

O que a gente tem que entender é que a natureza da atividade sexual vai mudando com o passar da idade, assim como a resposta fisiológica muda. O desejo sexual será diferente, ocorrem novas formas de vivenciar a sexualidade que são tão prazerosas quanto.

 

O tipo de sexo que as pessoas fazem quando elas são jovens é diferente do que elas fazem quando envelhecem, então se a pessoa espera ter o mesmo desejo que ela tinha aos 16, aos 60 anos, ela vai se frustrar.

 

Com as mulheres, ocorrem mudanças biológicas chegando na fase da menopausa. A redução na produção dos hormônios sexuais e de colágeno afetam a vascularização da vagina que fica mais seca e menos elástica. Uma das principais queixas que a mulher apresenta é dor e dificuldade para ter relação sexual.

 

À medida que elas vão amadurecendo tendem a questionar a relação sexual. Muitas delas chegam no consultório e falam “eu tenho a minha relação sexual pra agradar o meu marido, eu faço sexo para o outro”. (ver report do FDA). Nosso trabalho é ajudá-las a descobrir como o sexo pode agradá-las. A mentalidade de fazer sexo para o outro é reproduzida em mulheres de todas as idades. No entanto, essa nova geração mais jovem está começando aprender a fazer sexo para seu próprio prazer, e não como algo em troca do amor, em troca de casamento, em troca de alguma coisa. É muito interessante quando uma mulher descobre que o sexo pode ser agradável para si mesma, a relação delas com o parceiro fica melhor, o parceiro começa a sentir mais prazer também, começa a haver uma troca muito grande entre os dois.

 

Antigamente as mulheres de mais idade dificilmente chegavam com uma queixa sexual, pois a noção do envelhecimento e da prática sexual estava muito ligada à reprodução. Então quando a intenção de ter filhos se esgotava, a mulher pensava que a atividade sexual não era mais necessária. Além da questão reprodutiva, como fator que ligava a mulher ao sexo, também se acreditava que a atividade sexual iria reduzir com o envelhecimento.

 

Hoje em dia, especialmente depois do lançamento dos medicamentos que facilitam a ereção, muitos homens de mais idade começaram a procurar de novo suas parceiras e elas começaram a reclamar que acabou o sossego delas, pois teriam que voltar a transar.

Neste caso, conversamos o que é o sexo para ela e por qual razão não querem mais fazê-lo. Se ela sente que o sexo é algo que faz para o outro e não pra si, se for pra fazer para o outro realmente fica muito sem graça.

 

A noção de que uma mulher pode ter prazer é uma ideia muito recente.

Historicamente, até o século retrasado, as mulheres que se masturbavam e tinham orgasmos poderiam ser tratadas como doentes mentais.

A mulher que tinha orgasmo não era uma boa esposa.

A mulher que gostava de fazer sexo não era considerada uma boa mulher.

 

Isso mudou radicalmente da década de 50 com o advento da pílula anticoncepcional e com as mulheres ganhando o controle da sua própria sexualidade. É muito recente a mulher poder gostar de sexo, portanto é muito recente nosso trabalho ajudando na prática de uma atividade sexual onde a mulher tenha o poder de comando sobre a sua sexualidade.

 

Muita gente indica o uso da testosterona como uma alternativa para aumentar o desejo de sexual feminino, porém há uma discussão sobre  a segurança deste tratamento, pois a Sociedade de Ginecologia lançou uma nota dizendo que seu uso é exclusivamente recomendado para mulheres após a menopausa, seguindo  critérios muito específicos e por períodos não muito longos, dado que não há certeza da segurança desse tipo de tratamento, tanto do ponto de vista cardiovascular, quanto do ponto de vista do aumento do risco de câncer. Existe um tratamento recente, que se faz com o laser de baixa penetração pra melhorar a lubrificação feminina, parece que tem um resultado muito bom, no entanto, esse procedimento não é acessível para a maioria da população e não é coberto pelo SUS, embora (acredito) que seja um tratamento bastante útil para tratar as mulheres.

 

As mulheres que estão passando por calores e secura vaginal podem procurar um ginecologista para investigar se precisam fazer reposição hormonal ou não. A secura vaginal impede uma relação de prazer, assim costuma-se pedir que a paciente passe por uma boa avaliação hormonal. Se houver deficiência de estrogênio, pode-se solucionar com uma reposição hormonal adequada.

 

Outra recomendação muito importante para ajudar na lubrificação e no prazer feminino é o uso de lubrificantes à base de água durante as relações sexuais. Cuidado com os lubrificantes à base de óleo, tipo vaselina, eles podem romper o látex da camisinha. Devemos reforçar a educação quanto ao do uso de camisinha para a população mais madura: a incidência de DSTs e Aids em brasileiros acima de 60 anos dobrou nos últimos 20 anos.

 

Outra ideia que a gente pode colocar aqui: fazer sexo é uma coisa normal, independente da sua idade, e isso tem que ser mais frequentemente divulgado.

No caso do homem existe uma idade em que começa a perder a força da ereção, e uma mudança dramática nos casos que a gente atende é o “período refratário”, ou seja, o tempo necessário para um homem repousar entre uma relação sexual e a outra.

 

Quando o sujeito é jovem, esse tempo pode ser segundos ou minutos. Quando o homem envelhece esse tempo de espaçamento pode ser horas ou até de um dia para o outro.

Especialmente para aqueles que têm dificuldade de controlar a ereção. Eles se acostumam a ejacular rápido na primeira transa, já na segunda conseguem manter um controle maior e a relação sexual costuma durar mais, e assim agradar a(o) parceira(o). Com o passar da idade essa estratégia para de funcionar, ele consegue gozar rápido na primeira transa, porém a segunda ereção não vem e aí ele fica a frustrado, a parceira fica frustrada também.

 

Os medicamentos para ereção fizeram uma revolução no comportamento sexual, eles foram usados por quem precisava e por quem não precisava, o que esses medicamentos fizeram foi mostrar como os homens são inseguros, eles foram vastamente adotados pois atuam na performance do homem, que é exatamente o que o homem procura, então todo mundo correu atrás medicamento, a empresa que lançou o medicamento se tornou a maior empresa farmacêutica do mundo naquela época. Este uso indiscriminado começou a inaugurar uma série de problemas com homens que tomam o medicamento e não sabem onde está o desejo deles, porque a outra coisa que se assume como verdade universal é que o homem tem desejo o tempo todo, por qualquer coisa que se mexa, e isso não é verdade.

 

E ele não sente esse desejo enorme que acha que deveria estar sentindo, isso é um problema que é muito comum no consultório. O desejo está na cabeça, na imaginação.  Ereção e desejo não necessariamente andam juntos.  Ereções matinais, por exemplo, não necessariamente significam que existe o desejo sexual. A gente discute porque que a relação sexual tem que ser concentrada na penetração. Temos um parque de diversões imenso que a pele do corpo todo (vídeo jout jout), que é o cérebro, a fantasia, e a gente fica brincando só na roda gigante.

 

Muitas vezes as pessoas ficam focadas em obter um desempenho ou seguir o que é “normal” no sexo.  Os pacientes vêm perguntando o tempo todo pra gente o que é normal, eu não sei o que é normal, o meu normal não é o seu normal, cada um tem o seu normal. Cabe-se pensar que tipo de adaptação psicológica você pode buscar para ter uma vida sexual satisfatória, independente de padrões.

Liza Sartoti - Advisory Board - Canadá

Autora

Conselheira de V-LOV, Liza orienta a empresa sob o aspecto farmacêutico, dada sua formação na área. Mas não é sua formação que a distingue como gestora ativa na concepção e execução da empresa.