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Nem tudo que é natural te cura

Nem tudo que é natural te cura

A vagina não é carrinho de mercado, nem sauna a vapor ou porta-joias. Algo está muito errado nas revistas femininas e no exemplo dado pelas celebridades, que ultimamente parecem obcecadas por suas partes íntimas, mas de maneira mais perigosa do que prazerosa. Ou talvez, mais lucrativa.

Recentemente uma mulher morreu na Argentina após introduzir salsinha na vagina, com a intenção de provocar um aborto, acreditando que a erva tem uma propriedade natural que aumenta o fluxo sanguíneo e provoca contrações uterinas.

 

A “prática” é conhecida e já foi – pasme – publicada na revista Marie Claire, não como método abortivo, mas como um método natural para “fazer descer a menstruação”, já que a salsinha poderia “amolecer o cérvix e balancear os hormônios, fazendo com que seu ciclo se regularize”. Não há evidência científica nenhuma de que a salsinha funcione, nem para regular o ciclo, nem de forma efetiva como abortivo. O artigo online que indicava o uso de chás e de supositórios vaginais de salsinha, já foi deletado.

 

Segundo o site IFLScience, ao buscar supositórios vaginais de salsinha no Google encontra-se um verdadeiro show de horrores sobre métodos abortivos naturais, que sugere inclusive induzir um aborto “natural e seguro” inserindo salsinha “in natura” na vagina, ou seja, aconselham usar não um suco, uma pasta ou outra forma processada, mas a própria planta, folhas, ramos e tudo! 

 

No caso argentino as consequências foram as piores possíveis: a introdução de maços de salsinha na vagina da moça causou uma infecção, que se espalhou. A paciente morreu de choque tóxico, um dia após a retirada do seu útero, uma última tentativa dos médicos de conter a infecção.

 

Além do triste desfecho dessa história levantar a reflexão sobre a legalização do aborto, de que não vamos tratar aqui porque o debate merece um espaço exclusivo, casos como este chamam a atenção para modinhas e apelos ao “natural”, “holístico” e “mágico”, usando a desinformação sobre a sexualidade da mulher como isca para vender produtos e promover “tratamentos”.

 

Outro modismo recente inclui introduzir um pepino – sim, é isso mesmo, um pepino descascado – na vagina para “limpar” e “refrescar” a área íntima. Relatos e vídeos tutoriais no YouTube são fáceis de achar, e alegam – sem base nenhuma na realidade – que o pepino pode balancear o pH vaginal e higienizar a região. Para isso, deve-se introduzir o vegetal, devidamente descascado, na vagina e manuseá-lo e girá-lo por 20 minutos. Ninguém indica o que se deve fazer com o pepino em seguida, então por favor, se você é adepta dessa prática, não me convide para o jantar.





 

Além de vegetais, celebridades como Gwyneth Paltrow, no seu site “Goop”, segundo ela, de “promoção de bem-estar” – e que vende produtos associados –, aconselham as mulheres a enfiar ovos de jade nas partes íntimas, para treinar a musculatura pélvica e se “reconectar com a sexualidade”. Segundo o site a energia do ovo de jade também vai tornar a mulher mais segura e atraente. Um depoimento de uma usuária conta que usou o aparato para sair à rua e que os homens a olharam com desejo. Parece bastante curioso que ao mesmo tempo em que o site pretende promover a sexualidade saudável da mulher e o feminismo, consegue apelar para o pensamento sexista de que o único intuito da vida da mulher é atrair o público masculino. A própria ideia de que a vagina necessita de limpeza e purificação ecoa um pensamento machista, de que a vagina é impura.

 

Outra modalidade indicada pela atriz é transformar a vagina em sauna úmida, com banhos de vapor. Os ovos de jade você pode adquirir pela bagatela de US$70,00 e a sauna sai por US$50,00 a sessão, com vapor de uma espécie de Artemísia, erva que promete regularizar seu ciclo menstrual, acabar com as cólicas, balancear seus hormônios, matar vermes intestinais, e amenizar os sintomas de todo e qualquer desconforto que você possa imaginar, além de obviamente higienizar a vagina e o útero.

 

Infelizmente, estes hábitos, além de causar, no mínimo, estranheza, e não terem nenhum respaldo científico, são perigosos. Enfiar objetos estranhos – e mais ainda “produtos da terra” – no canal vaginal pode contaminar a área com microrganismos estranhos ao local e trazer consequências graves para a saúde. 

 

Alguns conceitos precisam ficar muito claros. Primeiro, a vagina não precisa de manutenção, higienização ou tratamento cosmético. Também não é possível nem tampouco necessário “balancear” o pH vaginal. Quem faz esse trabalho são as bactérias que habitam esse ambiente, do tipo de lactobacilos em sua maioria, a mesma bactéria que encontramos em probióticos e iogurtes. Essa bactéria é a responsável por manter o pH vaginal ácido, e manter a microbiota vaginal em equilíbrio. Microbiota é o conjunto de bactérias que moram em um determinado local. Essas bactérias residentes mantêm afastadas espécies patogênicas, que podem causar doenças.

 

Quando microrganismos estranhos são introduzidos esse equilíbrio pode ser afetado. Objetos aparentemente inofensivos podem causar pequenas lesões e cortes na mucosa vaginal, e isso serve como porta de entrada para infecções oportunistas. Essas infecções podem resultar desde uma simples vaginose até uma síndrome de choque tóxico – que causou a morte da moça argentina – ou facilitar o contágio de doenças sexualmente transmissíveis, como HPV e HIV.

 

Vegetais na vagina apresentam risco duplo: estamos, ao mesmo tempo, inserindo bactérias e fungos estranhos, e também correndo o risco de causar essas pequenas lesões físicas. Objetos como o ovo de jade também podem, ao ser manipulados dentro da vagina, causar pequenas lesões, e não há nenhum estudo sobre como o material vai interagir com a mucosa e com a microbiota do local. No caso do vapor, há o perigo de pequenas queimaduras que também podem resultar em lesões.

 

Mesmo a prática de duchas vaginais, aparentemente mais inofensiva, é desaconselhada por especialistas, justamente para não desequilibrar a microbiota protetora que habita normalmente a vagina.

 

Assim, senhoras, por favor, não coloquem vegetais nem objetos de procedência duvidosa em suas vaginas. Se o intuito é diversão, além dos modelos naturais desenhados evolutivamente para o uso, existem modelos artificiais seguros e laváveis, que não requerem cuidados adicionais como papo, cerveja e futebol. E se o intuito for limpar, higienizar ou equilibrar o pH, não façam nada. Simplesmente nada. Sua vagina faz isso sozinha. Vaginas são incrivelmente autossuficientes e, se deixadas em paz, não dão abertura para oportunistas, sejam eles microrganismos ou espertinhos querendo vender produtos desnecessários.

Natalia Pasternak é pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, coordenadora nacional do festival de divulgação científica Pint of Science para o Brasil e presidente do Instituto Questão de Ciência

 

fonte: http://revistaquestaodeciencia.com.br/questao-de-fato/2019/02/06/vagina-nao-e-carrinho-de-feira

Cintia Klein: Fundadora de V-LOV

Autora

Bem-vindos! Muito prazer.

Venho aqui cheia de energia para melhorar a minha vida, e a sua vida.

Antes disso, tive que resolver uma questão de assédio no trabalho, que me causava enorme sofrimento, e enfim sair do papel de vítima e assumir as rédeas da minha carreira.

Para chegar aqui, precisei reunir muita coragem para me demitir e findar este capítulo.

Saí de cabeça erguida, num dia de avaliação de desempenho. O primeiro feed-back da avaliação era sobre minha participação em uma reunião, que gerou reclamação de um Diretor. Entendi claramente que eu não "podia discutir estratégias com Diretores."

Foi um choque! E a gota d'água. Justamente porque durante um ano eu estava sendo treinada para manifestar mais a minha voz.
O meu mentor, um excelente executivo desta mesma empresa, VP de Marketing da Inglaterra, havia me incentivado a falar mais nas reuniões estratégicas, inclusive, havia me inscrito num curso de Liderança, exatamente para praticar falar em público e em reuniões. Foi duro fazer aula de teatro em inglês, com outros colegas da empresa, e aprender a expor minha voz. E ao mesmo tempo, percebi que a minha voz era digna de respeito e tinha a sua valia.

Naquele dia caiu a ficha: ali, eu não poderia ter voz. A minha experiência, e as minhas entregas durante 3 anos, como responsável pelo marketing da empresa no Brasil não eram relevantes de maneira suficiente, eu teria que me calar ou concordar com as estratégias de alguns poucos executivos - incompetentes para suas atribuições profissionais e desrespeitosos como ser humano.

Assim nasceu a V-LOV, uma nova empresa atuante no mercado de saúde íntima e bem-estar feminino, para que mais mulheres possam obter a escuta nas relações de trabalho e afetivas.

Te convido a aprender mais sobre saúde, bem-estar e cuidado íntimo. Aqui o leitor tem voz, você pode dar a sua opinião. Eu trouxe informações de especialistas em campos complementares, incluindo correntes de pensamento e teorias que podem ser vistos como complementares e até mesmo divergentes em alguns aspectos. Utilize aquela que se aplica mais a você.

A diversidade de crenças é permitida e estimulada, você pode repensar, concordar, discordar, ter dúvidas e até nos questionar. O diálogo é vital para a melhoria de nosso relacionamento. O valor de trabalho na V-LOV é o respeito as opiniões diversas.

Nossa atividade principal é cuidar de você de maneira holística, nossa meta diária é se conectar, pesquisar, selecionar e analisar novos estudos, serviços e produtos para aumentar o seu V-LOV, provendo dicas práticas, materiais educativos e de entretenimento. Uma boa parte deles estará disponível na sua conveniência, com discrição e acesso gratuito. Aproveite!

Abraços,
Cintia Klein